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Por favor, um copo de água!

Aqui está alguém com muita sede, pedindo um copo de água!
Um copo de água para quem tudo deixou por amor ao Cristo e a cada um de vocês; que se fez servo de todos sem nada cobrar de ninguém – a não ser um copo de água…
Um copo de água para aquele que não tem nem um lar, nem um ombro de esposa onde reclinar a cabeça, nas horas sombrias da vida. Um copo de água para aquele que escolheu a solidão e não mais pertence a si mesmo: que pertence a todos sem pertencer a ninguem em particular.
Um copo de água para o padre! Apenas um copo de água!
Um copo de água pode parecer coisa de nada: mercadoria que só circula entre pobres; mas na verdade é coisa de irmãos. E pode valer um carimbo no passaporte para o Reino do céu. Pois está escrito: “Quem lhes der um copo de água não ficará sem recompensa” (Mc 9, 41).
Um copo de água pode significar muita coisa valiosa, como, por exemplo, um pouco de calor humano, no acolhimento fraterno e de colaboração.Um pouco de amizade e de solidariedade na luta cotra as adversidades da vida. Um pouco de animação na hora do desânimo.
Seja bem claro que o padre não está pedindo esmola nem compaixão; nem está exigindo tratamento de favor na hora de pagar suas dividas; nem ser posto num trono ou acima dos outros mortais. Mas pode e deve exigir a porção de amor que lhe é devida, pois ele não deixa de ter um coração de carne, nem pode renunciar ao direito de amar e ser amado.
Portanto, não marginalizem este homem. Não o condenem a estacionar na periferia da vida. Nem pensem: “Quanto mais longe dele, melhor: é azarento”. Talvez seja este o maior azar da vida: ficar longe dele é privar-se do misterioso conforto que dele se desprende…
Então, irmãos, não neguem um copo de água ao padre! Ele pode estar com sede, como Cristo na cruz. Aliás, que tal, de vez em quando, oferecer-lhe também um cafezinho?

Pe. Virgílio, ssp