Vocação para a comunhão

Por muito tempo, o ser humano se considerou o centro de toda a criação, o que lhe dava autoridade para submeter a natureza criada ao seu domínio. Ainda hoje vivemos em tal consciência, apesar de muitos esforços que buscam a transformação dessa mentalidade.

“Que coisa é o ser humano, para dele te lembrares, o filho do homem, para o visitares?” (Sl 8,5), é o que pergunta o salmista, maravilhado ante a grandiosa obra do Senhor, que faz com o que o ser humano reconheça sua pequenez. Mesmo pequeno, sabe que ocupa um lugar dado pelo próprio Criador: “No entanto, o fizeste só um pouco menos que um deus, de glória e de honra o coroaste. Tu o colocaste à frente das obras de tuas mãos” (Sl 8,6-7)

É nesse horizonte que nos propomos a pensar os biomas de um ponto de vista existencial. Não apenas de um ponto de vista cientifico, duro, mas como originantes de uma vida de comunhão.

É o lugar da comunhão que todo o ser humano é chamado a ter com seu bioma, que precisa ganhar contornos existenciais. Não nos é estranho, nessa perspectiva, identificar cada bioma existencial com o Éden, o jardim da deliciosa convivência, ainda que com características tão próprias e nem sempre paradisíacas. Trata-se de encontrar sentido para sua existência, numa postura de comunhão com o conjunto da vida, de maneia harmoniosa e sem nenhum traço utilitarista.

O convite à facundidade e ao crescimento é feito a partir da dinâmica do amor. Só no amor o ser humano pode submeter a criação, como sinal de benção do Senhor (cf. Gn 1,28), da mesma forma como o Criador lida com suas criaturas. Essa é a responsabilidade humana de ser imagem e semelhança de seu Criador (cf. Gn 1,27). O amor-responsabilidade faz com que, à imagem e semelhança do Criador, participemos da criação de modo ativo: na comunhão com o mundo criado, fazer de nossa existência uma cultura originante, a fim de que essa comunhão se torne cada vez mais profunda.

Felipe Magalhães Francisco – Revista Vida Pastoral

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