RURALIDADE X URBANIDADE

No mundo rural há uma sacralidade bem exposta, pois é Deus quem dá o fruto, a verdura, manda a chuva, abençoa as colheitas e os animais. Dele dependem as coisas. Revela-se a imagem de um Deus providente, quando merece ser louvado, amado, lembrado e honrado, pois dele dependem muitas coisas.

As amizades são mantidas na base da partilha e das trocas: mata-se um boi e este é partilhado com todos, sendo sempre uma pratica reciproca. Há reuniões de vizinhos para conversar sobre os problemas da região, do clima, das desavenças, entre vizinhos ou famílias etc. a festa de casamento ou a morte de alguém é sempre motivo de encontros e celebrações comunitárias. A visita entre famílias é sempre motivo de alegria e de muita conversa. Exerce-se a solidariedade e o reconhecimento humano. A construção de uma casa, galpão ou um roçado a ser terminado em tempo urgente é motivo de solidariedade de todos os vizinhos e parentes. É uma vida bem marcada pela comunitariedade, solidariedade, fraternidade e proximidade. Um mundo quase feito de incluídos, visíveis e identificados.

Na cultura urbana, Deus perde seu lugar de providente para uma mentalidade econômica e de sobrevivência familiar individual. Cada família fecha-se em seu mundo e não se preocupa com os outros. Há edifícios com mais de 100 e 90% das pessoas não se reconhecem ou nunca se cumprimentaram. No urbano, todos estão preocupados em pagar o condomínio, a luz, a agua, em comprar frutas, verduras, alimento, vestuário e trabalhar muito para ter cada vez mais comodidades.

As amizades até acontecem, mas sempre com pessoas distantes de onde se mora, para evitar compromissos mais sérios ou por ter medo de ser incomodado por quem quer seja. Essa solidão e afastamento humano geram o modo, por isso o mundo urbano é feito cada vez mais de muros e sistemas de segurança. As pessoas não confiam e ignoram que podem ser ajudadas pelas outras.

Há uma clara fragmentação urbana, comunitária, religiosa e social. Multiplicam-se casas e dinheiros, mas não a solidariedade, fraternidade e fé. Fica de lado a referência do Deus providente em detrimento do deus-economia. O individual sobrepõe-se o comunitário. Cada um age por si. A cultura urbana junta e separada, aglomera e segrega. Um mundo de visíveis e invisíveis, de excluídos e incluídos, de identificados e sem identidade, de pessoas com endereço e sem endereço.

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