Author Archives: Nice Previero

34ª FESTA EM LOUVOR À NOSSA SENHORA APARECIDA

cartaz (1)

O CANTO NA LITURGIA

A música sacra é tanto mais santa quanto mais intimamente se articula com a ação litúrgica, contribuindo para a expressão mais suave e unânime da oração ou conferindo ao ritual maior solenidade. (SC 112)

“Toda música sacra é música religiosa, mas nem toda música religiosa é música sacra”.

O canto é um dos elementos mais importantes da celebração litúrgica. A sua motivação e a sua dinâmica encontram-se, sobretudo, em dois documentos: a instrução Musicam sacram, de 1967, e a Introdução à Liturgia das Horas (1971: IGLH 267-284).

O canto exprime e realiza as nossas atitudes interiores. Tanto na vida social como na cúltico-religiosa, o canto não só exprime, como, em certa medida, realiza os sentimentos interiores de louvor, adoração, alegria, dor, súplica. «Não se pode considerar mero adorno, extrínseco à oração. “Antes, irrompe das profundezas da alma de quem reza e louva ao Senhor» (IGLH 270). «A celebração do Ofício divino com canto é a forma mais condizente com a natureza desta oração. Além disso, ela marca também uma solenidade mais completa, ao mesmo tempo que traduz uma união profunda dos corações no canto dos louvores de Deus. Por isso, vivamente se recomenda àqueles que celebram o Ofício divino no coro ou nas comunidades» (IGLH 268).

O canto fomenta a unidade e exprime os sentimentos comunitários: pode-se dizer que o canto faz comunidade. Além disso, cria um clima mais solene e festivo na oração: «nada mais festivo e mais desejável, nas ações sagradas do que uma assembleia que, toda inteira, expressa a sua fé e a sua piedade por meio do canto» (MS 16). «O que ama, canta», como disse Santo Agostinho.

A introdução à Liturgia das Horas exprime bem os valores do canto, assim como o critério da «solenidade progressiva», pelo que se ressaltam especialmente com o canto os momentos mais importantes da celebração e também as celebrações mais expressivas no conjunto da semana ou do ano litúrgico (cf. IGLH 272-284).

O canto tem, na Liturgia, uma função ministerial: não é como um concerto, em que se canta pelo canto em si e pelo seu prazer artístico. Aqui, o canto ajuda, sobretudo, a que a comunidade entre mais em sintonia com o mistério que celebra.

Ao mesmo tempo, cria um clima de união comunitária e festiva, ajuda pedagogicamente a exprimir a nossa participação no mais profundo da celebração.

Assim, o canto converte-se em «sacramento», tanto do que nós sentimos e queremos dizer a Deus, como da graça salvadora que nos vem dele.

Segundo o Catecismo, «o canto e a música desempenham a sua função de sinais, dum modo tanto mais significativo, quanto “mais intimamente estiverem unidos à ação litúrgica”, segundo três critérios principais: a beleza expressiva da oração, a participação unânime da assembleia nos momentos previstos e o caráter solene da celebração. “Participam, assim, da finalidade das palavras e das ações litúrgicas: a glória de Deus e a santificação dos fiéis» (CIC 1157).

Desafios Pastorais

Continua-se cantando “na” liturgia qualquer música religiosa, catequética ou de mensagem, em vez de cantar “a” liturgia. Este mesmo erro ocorre também quando alguns movimentos ou grupos propõem músicas que não estão de acordo com a ação ritual e os tempos litúrgicos. (Est. da CNBB 79, n°27)

Sintomas Preocupantes

Celebrações promovidas por movimentos religiosos, congregando frequentemente grande número de participantes, aqui e acolá, com ampla divulgação da mídia, pouco levam em conta os textos litúrgicos, substituindo-os facilmente por letras de grande pobreza existencial, poética e teológica. (CNBB 79, n°43)

Descamba-se desvios preocupantes, (…) seja pelo exagerado individualismo, intimista e sentimentalista, muito “eu” e muito “meu”, desvirtuando a dimensão comunitária da fé, numa busca de emoções que reduz a relação com Deus a mero jogo de sentimentos, sem a profundidade e a amplitude do compromisso cristão.

Cantos que são o próprio RITO

São os cantos indispensáveis e insubstituíveis, que devem ser cantados na íntegra, porque são o próprio texto ritual, assim como se apresenta na Liturgia. São eles:

} Ato Penitencial: Senhor, tende piedade

} Hino de Louvor: Glória

} Credo

} Cordeiro de Deus

} Santo

} Pai Nosso

Alguns cantos na celebração têm a função de acompanhar um rito, que em geral são as procissões, os movimentos. São necessários, mas não indispensáveis menos importantes que os que constituem o rito. É o chamado “Próprio de cada Missa”, que, portanto, muda, conforme o Tempo Litúrgico, a Palavra, o momento celebrativo, o tipo de Celebração e de assembleia… São eles:

} Canto entrada

} Aclamação ao Evangelho: Aleluia! (exceto no tempo da quaresma – Aleluia!)

} Canto de Preparação das Oferendas

} Canto da Paz (facultativo)

} Canto de Comunhão

} Pós-Comunhão (facultativo)

} Louvor Final (facultativo)

Assim, já não se trata de cantar qualquer canto na liturgia cristã, só porque é bonito, mas cantar a própria liturgia, os textos rituais, o que exige conhecimento da liturgia e da função ritual de cada canto.

Em algumas paróquias se adota o HINÁRIO LITÚRGICO que dá um caráter de unidade a toda paróquia além de favorecer uma liturgia onde os cantos favoreçam à oração e não sejam apenas meros adornos que caminham separadamente daquilo que se celebra.

Por isso dizia com razão Santo Agostinho: “Cantar é próprio de quem ama”, e há um provérbio antigo que afirma: “Quem canta bem, reza duas vezes”. (IGMR nº19)

“Ver Jesus” é o anseio mais profundo do coração humano

Esse conhecimento não é simples informação, mas deve ser traduzido numa experiência íntima e mobilizadora, num encontro que dê sentido à vida.

A experiência da fé, encontro pessoal com Jesus Cristo, Caminho, Verdade e Vida, alimentará o processo de conversão dos filhos e filhas de Deus, dando um novo sentido á existência e fará sentir a profunda alegria de ser discípulo de Jesus na comunidade e no testemunho do Reino de Deus.

Hoje, mesmo sem saber expressar desse modo os que buscam, são muitos os que querem ver, conhecer e encontrar Jesus. Na verdade, ele é a resposta aos anseios mais profundos do ser humano, pois, “ilumina todo ser humano que vem a este mundo”.

“Ver” significa conhecer e ter experiência pessoal de Jesus. O desejo de ver revela o querer participar da vida por Ele oferecida.

“Ver Jesus” significa, de fato, acolher sua Pessoa com alegria. Ele é nosso único Salvador. No seu seguimento encontramos a resposta às exigências mais profundas de nossa vida.

“Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,16): é a revelação que Jesus faz, de si mesmo, aos seus discípulos, indicando-lhes o sentido de um verdadeiro encontro com Ele. “Eu sou” indica Jesus, o Verbo Encarnado, como presença de Deus na história. Ele é, por isso mesmo, o revelador por excelência e o missionário do Pai. Assim, ser discípulo de Jesus, “Caminho, Verdade e Vida”, é tornar-se missionário: “como o Pai me enviou, também eu vos envio” (Jo 20,2Ib).

O encontro pessoal com Jesus Cristo vivo, o novo Moisés, indica o êxodo de si para a ida ao encontro dos outros, solidariamente. A “Verdade” é Jesus Cristo, a Palavra encarnada, e não um sistema organizado de idéias e de conceitos. Ele é a Verdade que dá pleno sentido à nossa vida, ajudando-nos a compreender o significado profundo de nossas experiências.

Nossa gratidão à população católica de Mineiros do Tietê, cidades vizinhas e outras… que vieram prestigiar a 114° festa em louvor a Santo Antônio.

      As pessoas que trabalharam, organizaram, motivaram e divulgaram, como também: patrocinadores, visitantes e outros que não mediram esforços para a boa realização dessa festa que é um orgulho para as famílias desta cidade…

O ENCONTRO PERFEITO

O encontro, para que seja perfeito, profundo, necessita de três momentos: ir, ver, permanecer. Esse ensinamento é do próprio Jesus, Aquele que pode nos proporcionar um encontro que jamais iremos esquecer. Jesus, que nas palavras de João, foi ao encontro de dois homens, aproximou-se deles e os chamou para “irem ver o que de fato Ele fazia, onde morava e como vivia”.

Vivemos hoje uma forte crise de identidade. Muitos de nós perdemos o senso de humanidade, pois os encontros que fazemos nos veem como máquinas que produzem, que vendem, que fazem. O “encontro perfeito” vê o jovem diante do que ele é. Do que ele sonha. Do que ele tem como dom, talento, criatividade, desejo…

Encontrar-se com Jesus é ir em busca desse tesouro. É por isso que o encontro com o Mestre enriquece o seu ser, e não o seu ter. Onde está o seu tesouro? No encontro perfeito, descobrimos o nosso tesouro escondido: a VOCAÇÃO,  a missão que Deus a mim confiou e me chama.

Do encontro perfeito nasce a nossa vocação: aquele alguém que encontramos fará com que renunciemos a tudo o que trouxemos até aqui, e nos colocará num novo caminho.

Fonte: FRT. Dione Afonso, SDN, Revista  O Lutador

A REPRESSÃO E O RIO

nikko_river-otherComemorar o Dia dos Pais me faz pensar nos meus muitos e muitos anos de experiência na sala de aula, ajudando a “educar” gerações de crianças e jovens, filhos de outros tantos pais, como eu.

Penso também na minha própria experiência como pai, nos meus três filhos únicos, e concluo: como é fácil educar os filhos dos outros…

Filhos entram em nossa vida como um rio de correnteza forte, atrevida, imprevisível. Nós, pais, somos como margens, vamos tentando dar um rumo, conter os excessos, prevenir as enchentes.   Um rio, quando extrapola suas margens, em geral, provoca estragos.

Há um momento, ali entre a adolescência e a juventude, em que só as margens são insuficientes. A energia do rio alcança uma força, um nível ao mesmo tempo belo e perigoso. É preciso, então, fazer-se represa, na verdade, terminar de construir a represa iniciada lá na infância dos nossos pequenos.

Uma represa existe para conter a força das águas, educá-las, canalizá-las, para depois liberá-las para que possam, então com serena segurança, seguir seu curso em direção ao mar da vida.

Ao longo da minha vida de pai e educador, vi tudo. Desde rios sem margens até outros onde havia uma represa a cada cem metros. Extremos que se tocam nos resultados trágicos. Filhos “problemáticos”, em geral, são frutos de famílias onde se pode tudo ou não se pode nada.

Se a água para, empoça… Fica estagnada, cria lodo, lama, apodrece. Se só recebe esgoto e poluição, morre e mata. Se corre solta sem freios ou limites, acaba por se perder, por se desperdiçar.

Por isso, as represas precisam ser fortes, sólidas, sem abrir mão da sabedoria das comportas. As comportas lidam com a força das águas na medida certa. Sabem a hora de conter e a hora de liberar. Transformam a força do rio em energia que produz fartura, gera bem-estar, irriga, ilumina, enriquece o solo, a vida.

Numa represa sem comportas, as águas chegam, chocam-se contra a parede, se acumulam, sobem, transbordam, passam por cima ou rompem o dique. E aí, pobre de quem estiver do outro lado…

É preciso pacificar a energia dos filhos com o equilíbrio amoroso, mas exigente, da paternidade. Somar carinho, dividir e multiplicar afetos, subtrair excessos. Pois, educar é justamente isso; fazer brotar de dentro do outro o que ele tem de melhor.

Pensar em tudo isso me faz lembrar um pequeno poema que escrevi muito tempo atrás, e que compartilho hoje com vocês.

Eu quero um pai…

Eu quero um pai,                                                                                                                                 Que quando me disser sim, o faça com alegria e quando disser não, o faça com carinho.

Pois eu preciso de sim e de não, ambos, sempre com amor.

Eu quero um pai que seja ocupado e responsável como todos os pais, mas que encontre tempo para ouvir as minhas histórias e me contar as suas.

Que se lembre que já teve a minha idade. E não se envergonhe de sentar-se no chão para brincar comigo.

Eu quero um pai que, quando eu crescer um pouco mais e viver alguma crise, tenha paciência comigo, me convide para sair, bater papo, jogar conversa fora, mas no meu coração…

Eu quero um pai que me mostre os caminhos caminhando comigo.

Que não use muitas palavras ou discursos, pois estarei sempre aprendendo com seus gestos.

Que seja uma presença em minha vida mesmo quando estiver distante.

Eu quero um pai.

Não precisa ser herói, nem espetacular.

Pode ser até baixinho e gordinho e nem de longe ser um pai bonito.

Como esses modelos que aparecem nas propagandas do Dia dos pais.

É que eu não quero um pai para um dia.

Eu quero um pai para a vida toda…

Fonte: Eduardo Costa, Revista Mensageiro do Coração de Jesus

JESUS REZA EM NÓS E CONOSCO

     “A oração de Jesus faz da oração cristã uma súplica eficaz. É Ele o seu modelo. Jesus reza em nós e conosco. Já que o coração do Filho não busca senão o que agrada ao Pai, como haveria (o coração dos filhos adotivos) de apegar-se mais aos dons do que ao Doador?”

     O único mestre da nossa oração é Jesus. Ele nos ensina como devemos nos relacionar com o Pai. É belo fixar os nossos olhos em Cristo Jesus, escutar a Sua voz dentro de nós, deixar que Ele suplique por nós e peça por nós tudo o que necessitamos.

     Um dia Jesus nos colocou em guarda sobre uma oração de palavras e mais palavras (Mt 5) e nos ensina a entrar em nós mesmos, fechar a porta e a rezar em silêncio, no segredo do Pai, não com muitas palavras, mas somente amando e deixando-se amar por Ele. O silêncio é a melhor maneira para rezar e para falar com Deus. Coloquemos em evidência estas duas atitudes.

     Jesus reza em nós. Isto é muito importante, quer dizer que nunca devemos dizer que não sabemos rezar, porque não somos nós que rezamos, mas é Jesus que reza dentro do nosso coração.     Os Seus sentimentos se fazem os nossos, os Seus pedidos são os nossos, deixemos então Jesus rezar em nós. Não queiramos afogar com as nossas palavras a Jesus, mas digamos somente: Jesus, reza em mim, suplica em mim, pede em mim!

      Mas ao mesmo tempo Jesus reza conosco. Sempre devemos voltar a algumas orações de Jesus que encontramos no Evangelho, especialmente a estas três: “Eu Te louvo e Te agradeço, ó Pai, porque escondeste estas coisas aos inteligentes e as revelastes aos pequeninos” (Mt 11,25). Na oração do Pai-Nosso, Jesus reza conosco a grande oração que encerra em si mesma todos os pedidos e desejos do nosso coração. A única oração que nunca nos cansamos de rezar é o Pai- Nosso. Ela não é nossa, é de Jesus. E ele a rezou pela primeira vez com seus discípulos. E gosto imensamente de rezar com Jesus o capítulo 17 de São João, no qual temos aquela que é chamada a oração sacerdotal, que sintetiza toda vida de Jesus. É belo caminhar na oração com Jesus e repetir as Suas mesmas palavras. Não nos afastemos, na nossa oração do modelo e mestre Jesus.

Vida Cristã, Frei Patrício Sciadini, OCD, Revista Mensageiro do Coração de Jesus julho/agosto 2017

A AVE CONSTRÓI O NINHO ATÉ OS FILHOTES APRENDEREM A VOAR,E O HOMEM CONSTRÓI UM LAR PARA QUE OS FILHOS POSSAM VOLTAR.

“A ave constrói o ninho; a aranha, a teia; o homem, a amizade.” Ao conceituar essa compreensão, o poeta inglês Wilian Blak afirma que a amizade para o ser humano é tão essencial quanto o ninho para a ave e a teia para aranha. Pela amizade, o homem transforma o ninho e a teia, dando-lhes sentido, cor e calor. Esses nichos ecológicos, simples arte técnica de seres que buscam a sobrevivência, quando aquecidos pela amizade, se transformam em realidades vivas. O ninho se torna família; e a teia, uma textura social costurada pela linha evolutiva do respeito e do progresso.

A família sem o calor da amizade seria apenas um teto, um abrigo, um agrupamento de pessoas; e a teia social, somente uma rede de relações conectadas por interesses egoístas, sem relevo e sem sustentabilidade. A arte e a beleza, seja do ninho, seja da teia, se revigoram quando a amizade lhes dá sentido, voz e seiva.

A ave constrói o ninho até os filhotes aprenderem a voar, e o homemconstrói um lar para que os filhos possam voltar. O ninho da ave é provisório, exposto às intempéries, feito para ser abandonado; já o ninho humano é alicerçado por laços protetores, embebidos de afeto, esperando retornos, entrelaçando gerações.

A aranha constrói a teia para a sua sobrevivência; o ser humano constrói a sociedade para a convivência. A aranha tece com fios frágeis, viscosos, fios de captura, de armadilha. Teias de refúgio, de cópula e de segurança. O ser humano tece sua rede com relações de troca, negociadas na confiança, conectando diferenças.

Esta é a vocação do homem, como se expressou o papa Francisco, em sua mensagem para o Dia Mundial das Comunicações Sociais: “Gostaria de encorajar a todos a pensar a sociedade humana não como um espaço onde estranhos competem e procuram prevalecer, mas antes como uma casa ou uma família cuja porta está sempre aberta procurando aceitar uns aos outros”.

Francisco prossegue exortando para que a comunicação crie “proximidade”. Uma proximidade que “cuida, conforta, cura, acompanha e faz festa”. E o que é que aproxima gerando essas atitudes senão a amizade? Somente uma comunicação construída na confiança, abertura, no abraço sincero, sem preconceito, pode promover a cultura do encontro, por meio da qual aprendemos a sentir e acolher o outro como amigo.

Construamos ninhos com o calor e teias com a cor da amizade, para suavizarmos o frio da solidão e colorirmos a teia das relações. As palavras de amizade, de esperança e de misericórdia – como nos exorta o papa – podem ser simples, mas seu eco ressoa para sempre. Ficam gravadas no mais profundo, e simples lembrança resgata a alegria e o prazer de se ter amigos. Só a palavra amiga cria o diálogo que constrói pontes para a cultura do encontro. Sem a confiança, a solidariedade e o interesse coletivo, transformamos nossas relações numa guerra de egoísmos, uma competição desumana, uma tragédia. Portanto, o ninho e a teia humana têm de ser tecidos e sustentados pelos laços a amizade duradoura, construtiva, que educa e apoia. Do contrário, seremos eternos pássaros feridos, perdidos, sem horizontes ou aranhas ardilosas entrelaçando fios que capturam, dilaceram, rasgam e destroem. De outra forma, estaríamos sempre nos refugiando em ninhos e teias na selva onde impera a lei do mais forte.

Bem-vindas as relações que nos surpreendem como uma amizade de passagem, mas alegram e dão relevo à arte do benquerer. Amigos à distância que alimentam a saudade, por vezes doída, mas proporcionam alegria do reencontro. São esses desenhos todos, de laços multicoloridos, entrelaçados de cuidados, que aquecem e dão sabor à convivência humana.

Já dizia Cícero, o filósofo romano: “Quem afasta a amizade da vida parece que arranca o sol do mundo, pois os deuses imortais não nos deram nada melhor nem mais doce”.

Nada melhor, porque a amizade verdadeira pressupõe igualdade em termos de virtudes éticas, e nada mais doce, porque somente os amigos verdadeiros podem conjugar a doçura do verbo conviver. E ainda que ninho e teia sejam sempre imperfeitos – porque em contínua construção -, os fios da amizade os tornarão sempre mais próximos do belo, do nobre, do construtivo. Poetas e escritores souberam descrever muito bem a felicidade de se ter amigos:

Abençoados os que possuem amigos, os que os têm sem pedir. Porque amigo não se pede, não se compra, nem se vende.

Amigo a gente sente!

Benditos os que sofrem por amigos, os que falam com o olhar.

Porque amigo não se cala, não questiona, nem se rende.

Amigo a gente entende!

Bendito os que guardam amigos, os que entregam o ombro pra chorar.

Porque amigo sofre e chora .

Amigo não tem hora pra consolar!

Benditos sejam os amigos que acreditam na tua verdade ou te apontam a realidade.

Porque amigo é a direção.

Amigo é base quando falta o chão!

Benditos sejam todos os amigos de raizes, verdadeiros.

Porque amigos são herdeiros da real sagacidade.

Ter amigos é a melhor cumplicidade!

Carmem Beatriz Fávero, fsp, autora do livro A pétala, de paulinas Editora.