A LUZ DA FÉ

Cristo o verdadeiro Sol, cujos raios dão vida.

A fé nasce do encontro com o Deus vivo, que nos chama e revela seu amor. A fé, que recebemos de Deus como dom sobrenatural, aparece como luz para a estrada orientando os nossos passos no tempo. Compreendemos que a fé não mora na escuridão, mas é uma luz para as nossas trevas.

Acreditamos no amor (1Jo 4, 16)

A fé está ligada a escuta. Abraão não vê Deus, mas ouve a sua voz. Desse modo, a fé assume um caráter pessoal: o Senhor não é um Deus de um lugar, nem mesmo um Deus vinculado á um tempo específico.  A fé é a resposta a uma Palavra que interpela pessoalmente, a um Tu que nos chama por nome.

Abraão, a fé em Deus ilumina as raízes mais profundas do seu ser. O Deus misterioso que o chamou não é um Deus estranho, mas a origem de tudo e que tudo sustenta. A grande prova de FÈ de Abraão, o sacrifício de seu filho Isaac.

A Fé é chamada a um longo caminho, pode adorar o Senhor no Sinai e herdar a uma terra prometida. O amor divino possui os traços de um pai que conduz seu filho pelo caminho (Dt 1, 31).

FÈ e verdade.

Se o amor tem necessidade da verdade, também a verdade precisa do amor, amor e verdade não se podem separar. Sem o amor, a verdade torna-se fria.

Quem ama compreende que o amor é experiência da verdade, compreende que é precisamente ele que abre os nossos olhos para verem a realidade inteira, de maneira nova, em união com pessoa amada. O conhecimento da FÈ ilumina não só o caminho particular de um povo, mas também o percurso inteiro do mundo criado, desde a origem até a consumação.

A luz da FÈ é a luz de um Rosto no qual se vê o Pai. De fato, no quarto Evangelho, a verdade que a fé apreende é a manifestação do Pai e do Filho, na sua carne e nas suas obras terrenas, verdade essa que se pode definir como vida luminosa de Jesus.

A verdade que a FÈ nos descerra é uma verdade centrada no encontro com Cristo, na contemplação da sua vida, na percepção da sua presença.

Transmito-vos aquilo que recebi (1 Cor 15, 3).

A fé não é somente uma opção individual que se realiza na interioridade do crente, não é uma relação isolada entre o eu do fiel e o tu divino, entre sujeito autônomo e Deus, mas por sua natureza, abre-se ao nós, verifica-se sempre dentro da comunhão da Igreja.

A fé se apresenta como um caminho, uma estrada a percorrer, aberta pelo encontro com o Deus vivo, por isso, á luz da fé, da entrega total ao Deus que salva.

A fé é uma, em primeiro lugar, pela unidade de Deus conhecido e confessado. A fé é uma porque se dirige ao único Senhor, á vida de Jesus, á história concreta que Ele partilha conosco ( Santo Irineu de Lião). A fé é una porque é partilhada por toda a Igreja, que é um só corpo e um só Espírito: na comunhão do único sujeito que é a Igreja, recebemos um olhar comum. A unidade da  Fé é a unidade da Igreja, tirar algo á fé é faze-lo á verdade da comunhão. Danificar a fé significa danificar a comunhão com o Senhor.

Deus prepara para eles uma cidade (Hb 11, 16).

A FÈ nasce do encontro com o amor gerador de Deus que mostra o sentido e a bondade da nossa vida, está é iluminada á medida que entre no dinamismo aberto por este amor, isto é, enquanto se torna caminho e exercício para a plenitude do amor. A luz da fé é capaz de valorizar a riqueza das relações humanas, a sua capacidade de perdurarem, serem afáveis, enriquecerem a vida comum. A fé não afasta do mundo, nem é alheia ao esforço concreto de nossos contemporâneos. A fé faz compreender a arquitetura das relações humanas, porque identifica o seu fundamento último e destino definitivo de Deus.

Em família, a FÈ acompanha todas as idades da vida, a começar pela infância: as crianças aprendem a confiar no amor de seus pais. A FÈ torna-se luz para iluminar todas as relações sociais. Desde o seu início, a história de Fé foi uma história de fraternidade, embora não desprovida de conflitos. A Fé ensina-nos a ver que em cada homem, há uma benção para mim, que a luz do rosto de Deus me ilumina através do rosto do irmão.

No centro da Fé bíblica, há o amor de Deus, o seu cuidado concreto por cada pessoa, o seu desejo de salvação que abraça toda a humanidade e a criação inteira.

A Fé, ao revelar-nos o amor de Deus Criador, faz-nos olhar com maior respeito para a natureza, fazendo-nos olhar com maior respeito para a natureza, fazendo-nos reconhecer nela uma gramática escrita por Ele e uma habitação que nos foi confiada.

A Fé afirma também a possibilidade do perdão, que muitas vezes requer tempo, canseira, paciência e empenho, um perdão possível quando se descobre que o bem é sempre mais originário e mais forte que o mal. Quando a FÈ esmorece, há o risco de esmorecerem também os fundamentos do viver.

Se tirarmos a Fé em Deus das nossas cidades, enfraquecer-se-á a confiança entre nós, apenas o medo nos manterá unidos, e a estabilidade ficará ameaçada.

A Fé não é luz que dissipa todas as nossas trevas, mas lâmpada que guia os nossos passos na noite, isso basta para o caminho. Em Cristo, o próprio Deus quis partilhar conosco esta estrada e oferecer-nos o seu olhar para vermos a luz.

Feliz daquela que acreditou (Lc 1, 45).

A Palavra de Deus dirigiu-se a Maria, e Ela acolheu-a com todo o seu ser, no seu coração, para que Nela tomasse carne e nascesse como luz para os homens. Na mãe de Jesus, a fé mostrou-se cheia de fruto e, quando a nossa vida espiritual dá fruto enchemo-nos de alegria, que é o sinal mais claro da grandeza da fé.

Sendo Filho, Jesus pode trazer ao mundo um novo início e uma nova luz, a plenitude do amor fiel de Deus que Se entrega aos homens.

 

Papa Francisco – encíclica Lumen Fidei/junho de 2013.

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