Arquivos Mensais: outubro 2017

Comunidades Eclesiais de Base – Opção preferencial pelos pobres e protagonismo dos leigos

Por Gibran Luis Lachowski e Ana Paula Carnahiba

As comunidades Eclasiais de Base (CEBs) surgiram após os ventos progressistas do Concílio Vaticano II (1962-1965) e ganharam força com a II Conferência Geral do Episcopado Latino Americano, em Medellín (Colombia), em 1968. Naquele momento histórico, setores da Igreja Católica defenderam a opção preferencial pelos pobres e o protagonismo dos leigos no serviço pastoral. Assim, inspiradas num profetismo encarnado na realidade concreta do povo, é que se estabeleceram as CEBs no Brasil e em vários outros paises da América Latina.

Esse modelo de trabalho pastoral, até hoje repercutido em seu cancioneiro, foi proclamado como “um novo jeito de ser Igreja”. A forma inovadora valoriza a espiritualidade popular, com sua riqueza e diversidade cultural, reconhecendo os múltiplos rostos das comunidades. Por consequência, as CEBs trazem em si a crítica a um modelo de Igreja centralizador, clerical e fechado no dogmatismo.

O “novo jeito de ser Igreja” coloca o laicato no centro da ação profética, irmanado com padres, bispos, irmãs, diáconos e demais entes da estrutura hierárquica comprometidos com uma espiritualidade “pé no chão”. Por um lado, novidade, mas, por outro, retomada de um jeito originário de ser Igreja, como faziam os primeiros cristãos, a partir de pequenas comunidades, na dimensão da igreja casa, acolhedora, num misto de fé e vida diária.

Nesse sentido, as CEBs compreendem um modelo de reflexão e ação pastoral que enxerga Deus não numa relação isolada, entre eu e Ele, mas que percebe a divindade ao abrir os olhos à irmã e ao irmão. Tal comparação se ancora na Teologia da Libertação (TL), um dos sustentáculos teóricos das CEBs.

Criada no fim dos anos 1960, a TL se estruturou a partir de um Jesus Cristo libertador das opressões religiosa, econômica e politica de sua época e voltou-se à discussão teológica sobre o subdesenvolvimento da América Latina do século XX. Tornou-se forte alicerce na luta contra a ditadura brasileira e de outras nações latinas, como nos processos de redemocratização.

Afinal, ao estender a mão à prostituta e ao cego, ajoelhar-se para lavar os pés dos comuns, revirar as bancas dos comerciantes no templo e reduzir o deus dinheiro a seu divido tamanho, Jesus enfrentou as estruturas do poder. Por isso foi preso, torturado e assassinado. Mas seu exemplo repercute até hoje, evidenciando a ressurreição.

Envolta nesse caldo sociopolítico, teológico e cultural, as CEBs pontificaram-se como instância de denúncia das mazelas dos pequeninos de Deus e do anúncio de um Reino de Paz de Justiça aqui na terra. Criaram entidades de apoio às populações em situação de vunerabilidade, como a Comissão Pastoral da Terra (CPT) e o conselho Indigenista Missionário (Cimi). E cultivam os mártires da caminhada, fazendo memória de pessoas que deram a vida em nome das causas populares, entre eles o seringueiro Chico Mendes, o Padre João Bosco Burnier, a Irmã Dorothy Stang, o índio Simão Bororo e a líder rural Margarida Alves.

Desse modo, as CEBs se colocam hoje como portadoras de um jeito de ser Igreja que se expressa no profetismo de uma ação pastoral que vai até onde o povo está, no fortalecimento da rede de comunidades e na formação permanente de lideranças leigas. Constituem-se como um setor da Conferência
Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dividem-se em regionais e têm suas instâncias de organização, debate e deliberação. Além disso, possuem encontros periódicos, dos quais o Intereclesial é o de maior envergadura. Realizado a cada quatro anos, o evento trata de um tema central, discutido em etapas anteriores, a partir da metodologia ver, julgar e agir.

O próximo Intereclesial, o 14°, será em janeiro de 2018, em Londrina (PR), com expectativa de 3,5 mil pessoas do país inteiro, e vai debater “Os desafios das CEBs diante do mundo urbano”. Tema urgente e complexo, que se refere a um Brasil de 208 milhões de habitantes, com 84% deles vivendo nas cidades e 25% do PIB concentrado em apenas cinco deles, conforme dados do IBGE. Um baita desafio a ser discutido à luz do Evangelho de Cristo. Amém! Axé! Awire! Aleluia!

Revista Ave Maria / Novembro de 2017

 

Campanha Missionária 2017

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“A alegria do Evangelho para uma Igreja em saída” é o tema da Campanha Missionária de 2017. O papa Francisco nos lembra que “a alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus” (EG 1). Essa alegria é missionária, precisa ser anunciada a todos os povos, ad gentes, em todos os tempos e lugares.

A Igreja Povo de Deus é constituída por diferentes sujeitos da missão, de diversas idades e etnias, conforme destaca o cartaz e o lema da companha: “Juntos em missão permanente”. Isso reforça a importância de caminharmos unidos, após nos deixarmos encontrar por Jesus Cristo. A missão se realiza com participação de todos no caminhar juntos e na comunhão.

O objetivo é motivar as comunidades a participarem da missão da Igreja em todos o mundo, por meio da reflexão, da oração e da oferta no Dia Mundial das Missões (21 e 22 de outubro). A generosidade de todos contribui com projetos missionários e propagar a Boa Nova de Jesus para toda a humanidade.

O papa Francisco lembra a todos nós: “A alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus” (EG 1). Essa alegria que preenche os corações, precisa ser anunciada a todos, em todos os tempos e lugares, como fizeram os pastores em Belém. A melhor notícia de todos os tempos é aquela que Cristo trouxe: a salvação! E a salvação anunciada por Jesus Cristo tem alcance universal. É para todos os povos.

O Brasil tem cerca de 25.500 padres. A maioria está concentrado no Sudeste. Há carência de padres na Região Amazônica, no Centro-Oeste e no Nordeste. Entretanto, a Igreja no Brasil também precisa cooperar, enviando missionários presbíteros para outros países onde a necessidade é ainda maior.