Arquivos Mensais: setembro 2017

34ª FESTA EM LOUVOR À NOSSA SENHORA APARECIDA

cartaz (1)

O CANTO NA LITURGIA

A música sacra é tanto mais santa quanto mais intimamente se articula com a ação litúrgica, contribuindo para a expressão mais suave e unânime da oração ou conferindo ao ritual maior solenidade. (SC 112)

“Toda música sacra é música religiosa, mas nem toda música religiosa é música sacra”.

O canto é um dos elementos mais importantes da celebração litúrgica. A sua motivação e a sua dinâmica encontram-se, sobretudo, em dois documentos: a instrução Musicam sacram, de 1967, e a Introdução à Liturgia das Horas (1971: IGLH 267-284).

O canto exprime e realiza as nossas atitudes interiores. Tanto na vida social como na cúltico-religiosa, o canto não só exprime, como, em certa medida, realiza os sentimentos interiores de louvor, adoração, alegria, dor, súplica. «Não se pode considerar mero adorno, extrínseco à oração. “Antes, irrompe das profundezas da alma de quem reza e louva ao Senhor» (IGLH 270). «A celebração do Ofício divino com canto é a forma mais condizente com a natureza desta oração. Além disso, ela marca também uma solenidade mais completa, ao mesmo tempo que traduz uma união profunda dos corações no canto dos louvores de Deus. Por isso, vivamente se recomenda àqueles que celebram o Ofício divino no coro ou nas comunidades» (IGLH 268).

O canto fomenta a unidade e exprime os sentimentos comunitários: pode-se dizer que o canto faz comunidade. Além disso, cria um clima mais solene e festivo na oração: «nada mais festivo e mais desejável, nas ações sagradas do que uma assembleia que, toda inteira, expressa a sua fé e a sua piedade por meio do canto» (MS 16). «O que ama, canta», como disse Santo Agostinho.

A introdução à Liturgia das Horas exprime bem os valores do canto, assim como o critério da «solenidade progressiva», pelo que se ressaltam especialmente com o canto os momentos mais importantes da celebração e também as celebrações mais expressivas no conjunto da semana ou do ano litúrgico (cf. IGLH 272-284).

O canto tem, na Liturgia, uma função ministerial: não é como um concerto, em que se canta pelo canto em si e pelo seu prazer artístico. Aqui, o canto ajuda, sobretudo, a que a comunidade entre mais em sintonia com o mistério que celebra.

Ao mesmo tempo, cria um clima de união comunitária e festiva, ajuda pedagogicamente a exprimir a nossa participação no mais profundo da celebração.

Assim, o canto converte-se em «sacramento», tanto do que nós sentimos e queremos dizer a Deus, como da graça salvadora que nos vem dele.

Segundo o Catecismo, «o canto e a música desempenham a sua função de sinais, dum modo tanto mais significativo, quanto “mais intimamente estiverem unidos à ação litúrgica”, segundo três critérios principais: a beleza expressiva da oração, a participação unânime da assembleia nos momentos previstos e o caráter solene da celebração. “Participam, assim, da finalidade das palavras e das ações litúrgicas: a glória de Deus e a santificação dos fiéis» (CIC 1157).

Desafios Pastorais

Continua-se cantando “na” liturgia qualquer música religiosa, catequética ou de mensagem, em vez de cantar “a” liturgia. Este mesmo erro ocorre também quando alguns movimentos ou grupos propõem músicas que não estão de acordo com a ação ritual e os tempos litúrgicos. (Est. da CNBB 79, n°27)

Sintomas Preocupantes

Celebrações promovidas por movimentos religiosos, congregando frequentemente grande número de participantes, aqui e acolá, com ampla divulgação da mídia, pouco levam em conta os textos litúrgicos, substituindo-os facilmente por letras de grande pobreza existencial, poética e teológica. (CNBB 79, n°43)

Descamba-se desvios preocupantes, (…) seja pelo exagerado individualismo, intimista e sentimentalista, muito “eu” e muito “meu”, desvirtuando a dimensão comunitária da fé, numa busca de emoções que reduz a relação com Deus a mero jogo de sentimentos, sem a profundidade e a amplitude do compromisso cristão.

Cantos que são o próprio RITO

São os cantos indispensáveis e insubstituíveis, que devem ser cantados na íntegra, porque são o próprio texto ritual, assim como se apresenta na Liturgia. São eles:

} Ato Penitencial: Senhor, tende piedade

} Hino de Louvor: Glória

} Credo

} Cordeiro de Deus

} Santo

} Pai Nosso

Alguns cantos na celebração têm a função de acompanhar um rito, que em geral são as procissões, os movimentos. São necessários, mas não indispensáveis menos importantes que os que constituem o rito. É o chamado “Próprio de cada Missa”, que, portanto, muda, conforme o Tempo Litúrgico, a Palavra, o momento celebrativo, o tipo de Celebração e de assembleia… São eles:

} Canto entrada

} Aclamação ao Evangelho: Aleluia! (exceto no tempo da quaresma – Aleluia!)

} Canto de Preparação das Oferendas

} Canto da Paz (facultativo)

} Canto de Comunhão

} Pós-Comunhão (facultativo)

} Louvor Final (facultativo)

Assim, já não se trata de cantar qualquer canto na liturgia cristã, só porque é bonito, mas cantar a própria liturgia, os textos rituais, o que exige conhecimento da liturgia e da função ritual de cada canto.

Em algumas paróquias se adota o HINÁRIO LITÚRGICO que dá um caráter de unidade a toda paróquia além de favorecer uma liturgia onde os cantos favoreçam à oração e não sejam apenas meros adornos que caminham separadamente daquilo que se celebra.

Por isso dizia com razão Santo Agostinho: “Cantar é próprio de quem ama”, e há um provérbio antigo que afirma: “Quem canta bem, reza duas vezes”. (IGMR nº19)

“Ver Jesus” é o anseio mais profundo do coração humano

Esse conhecimento não é simples informação, mas deve ser traduzido numa experiência íntima e mobilizadora, num encontro que dê sentido à vida.

A experiência da fé, encontro pessoal com Jesus Cristo, Caminho, Verdade e Vida, alimentará o processo de conversão dos filhos e filhas de Deus, dando um novo sentido á existência e fará sentir a profunda alegria de ser discípulo de Jesus na comunidade e no testemunho do Reino de Deus.

Hoje, mesmo sem saber expressar desse modo os que buscam, são muitos os que querem ver, conhecer e encontrar Jesus. Na verdade, ele é a resposta aos anseios mais profundos do ser humano, pois, “ilumina todo ser humano que vem a este mundo”.

“Ver” significa conhecer e ter experiência pessoal de Jesus. O desejo de ver revela o querer participar da vida por Ele oferecida.

“Ver Jesus” significa, de fato, acolher sua Pessoa com alegria. Ele é nosso único Salvador. No seu seguimento encontramos a resposta às exigências mais profundas de nossa vida.

“Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida” (Jo 14,16): é a revelação que Jesus faz, de si mesmo, aos seus discípulos, indicando-lhes o sentido de um verdadeiro encontro com Ele. “Eu sou” indica Jesus, o Verbo Encarnado, como presença de Deus na história. Ele é, por isso mesmo, o revelador por excelência e o missionário do Pai. Assim, ser discípulo de Jesus, “Caminho, Verdade e Vida”, é tornar-se missionário: “como o Pai me enviou, também eu vos envio” (Jo 20,2Ib).

O encontro pessoal com Jesus Cristo vivo, o novo Moisés, indica o êxodo de si para a ida ao encontro dos outros, solidariamente. A “Verdade” é Jesus Cristo, a Palavra encarnada, e não um sistema organizado de idéias e de conceitos. Ele é a Verdade que dá pleno sentido à nossa vida, ajudando-nos a compreender o significado profundo de nossas experiências.