Arquivos Mensais: janeiro 2017

A LUZ DA FÉ

Cristo o verdadeiro Sol, cujos raios dão vida.

A fé nasce do encontro com o Deus vivo, que nos chama e revela seu amor. A fé, que recebemos de Deus como dom sobrenatural, aparece como luz para a estrada orientando os nossos passos no tempo. Compreendemos que a fé não mora na escuridão, mas é uma luz para as nossas trevas.

Acreditamos no amor (1Jo 4, 16)

A fé está ligada a escuta. Abraão não vê Deus, mas ouve a sua voz. Desse modo, a fé assume um caráter pessoal: o Senhor não é um Deus de um lugar, nem mesmo um Deus vinculado á um tempo específico.  A fé é a resposta a uma Palavra que interpela pessoalmente, a um Tu que nos chama por nome.

Abraão, a fé em Deus ilumina as raízes mais profundas do seu ser. O Deus misterioso que o chamou não é um Deus estranho, mas a origem de tudo e que tudo sustenta. A grande prova de FÈ de Abraão, o sacrifício de seu filho Isaac.

A Fé é chamada a um longo caminho, pode adorar o Senhor no Sinai e herdar a uma terra prometida. O amor divino possui os traços de um pai que conduz seu filho pelo caminho (Dt 1, 31).

FÈ e verdade.

Se o amor tem necessidade da verdade, também a verdade precisa do amor, amor e verdade não se podem separar. Sem o amor, a verdade torna-se fria.

Quem ama compreende que o amor é experiência da verdade, compreende que é precisamente ele que abre os nossos olhos para verem a realidade inteira, de maneira nova, em união com pessoa amada. O conhecimento da FÈ ilumina não só o caminho particular de um povo, mas também o percurso inteiro do mundo criado, desde a origem até a consumação.

A luz da FÈ é a luz de um Rosto no qual se vê o Pai. De fato, no quarto Evangelho, a verdade que a fé apreende é a manifestação do Pai e do Filho, na sua carne e nas suas obras terrenas, verdade essa que se pode definir como vida luminosa de Jesus.

A verdade que a FÈ nos descerra é uma verdade centrada no encontro com Cristo, na contemplação da sua vida, na percepção da sua presença.

Transmito-vos aquilo que recebi (1 Cor 15, 3).

A fé não é somente uma opção individual que se realiza na interioridade do crente, não é uma relação isolada entre o eu do fiel e o tu divino, entre sujeito autônomo e Deus, mas por sua natureza, abre-se ao nós, verifica-se sempre dentro da comunhão da Igreja.

A fé se apresenta como um caminho, uma estrada a percorrer, aberta pelo encontro com o Deus vivo, por isso, á luz da fé, da entrega total ao Deus que salva.

A fé é uma, em primeiro lugar, pela unidade de Deus conhecido e confessado. A fé é uma porque se dirige ao único Senhor, á vida de Jesus, á história concreta que Ele partilha conosco ( Santo Irineu de Lião). A fé é una porque é partilhada por toda a Igreja, que é um só corpo e um só Espírito: na comunhão do único sujeito que é a Igreja, recebemos um olhar comum. A unidade da  Fé é a unidade da Igreja, tirar algo á fé é faze-lo á verdade da comunhão. Danificar a fé significa danificar a comunhão com o Senhor.

Deus prepara para eles uma cidade (Hb 11, 16).

A FÈ nasce do encontro com o amor gerador de Deus que mostra o sentido e a bondade da nossa vida, está é iluminada á medida que entre no dinamismo aberto por este amor, isto é, enquanto se torna caminho e exercício para a plenitude do amor. A luz da fé é capaz de valorizar a riqueza das relações humanas, a sua capacidade de perdurarem, serem afáveis, enriquecerem a vida comum. A fé não afasta do mundo, nem é alheia ao esforço concreto de nossos contemporâneos. A fé faz compreender a arquitetura das relações humanas, porque identifica o seu fundamento último e destino definitivo de Deus.

Em família, a FÈ acompanha todas as idades da vida, a começar pela infância: as crianças aprendem a confiar no amor de seus pais. A FÈ torna-se luz para iluminar todas as relações sociais. Desde o seu início, a história de Fé foi uma história de fraternidade, embora não desprovida de conflitos. A Fé ensina-nos a ver que em cada homem, há uma benção para mim, que a luz do rosto de Deus me ilumina através do rosto do irmão.

No centro da Fé bíblica, há o amor de Deus, o seu cuidado concreto por cada pessoa, o seu desejo de salvação que abraça toda a humanidade e a criação inteira.

A Fé, ao revelar-nos o amor de Deus Criador, faz-nos olhar com maior respeito para a natureza, fazendo-nos olhar com maior respeito para a natureza, fazendo-nos reconhecer nela uma gramática escrita por Ele e uma habitação que nos foi confiada.

A Fé afirma também a possibilidade do perdão, que muitas vezes requer tempo, canseira, paciência e empenho, um perdão possível quando se descobre que o bem é sempre mais originário e mais forte que o mal. Quando a FÈ esmorece, há o risco de esmorecerem também os fundamentos do viver.

Se tirarmos a Fé em Deus das nossas cidades, enfraquecer-se-á a confiança entre nós, apenas o medo nos manterá unidos, e a estabilidade ficará ameaçada.

A Fé não é luz que dissipa todas as nossas trevas, mas lâmpada que guia os nossos passos na noite, isso basta para o caminho. Em Cristo, o próprio Deus quis partilhar conosco esta estrada e oferecer-nos o seu olhar para vermos a luz.

Feliz daquela que acreditou (Lc 1, 45).

A Palavra de Deus dirigiu-se a Maria, e Ela acolheu-a com todo o seu ser, no seu coração, para que Nela tomasse carne e nascesse como luz para os homens. Na mãe de Jesus, a fé mostrou-se cheia de fruto e, quando a nossa vida espiritual dá fruto enchemo-nos de alegria, que é o sinal mais claro da grandeza da fé.

Sendo Filho, Jesus pode trazer ao mundo um novo início e uma nova luz, a plenitude do amor fiel de Deus que Se entrega aos homens.

 

Papa Francisco – encíclica Lumen Fidei/junho de 2013.

Seguir Jesus

A fé por sua vez, exige confiança. Somente quando tivermos inteira confiança em alguém poderemos deixar tudo para segui-lo. A fé, portanto, leva-nos a fazer uma opção radical: deixar tudo, ou melhor, mudar de vida, de atitude para seguir o Mestre com liberdade e autonomia.

Fé e conversão caminham juntas. Por isso, pertencer a Cristo, ou seja, ser cristão consiste em esforçar-se continuamente para ir se configurando a Cristo. Construir a vida segundo o modelo de Jesus Cristo. A medida que vamos adquirindo o modo de Jesus ser, fazendo de nós mesmos uma opção pela vida, de fato, fé é vida, tendo Ele como eixo de nossa existência, transformando-nos em pescadores de pessoas, conduzindo aqueles que encontrarmos em nosso caminho para um Reino de justiça e de paz ( Mt 4, 12-23).

Pe. José Carneiro de Oliveira Filho

O Espírito Santo

É Espírito da verdade que nos guiará a toda verdade ( Jo 16,13). O Espirito da verdade age em nós, pois é ele quem age e nos remete a Cristo, ele faz de nós a memória de Cristo quando agimos na verdade, quando buscamos a nossa verdade, assim nos humanizamos e estaremos sempre inspirados pelo Espírito Santo de Deus, que é vida e verdade. O Espirito Santo também é amor, é o laço que entrelaça a mente (Pai) ao amado (Filho), quando nos amamos comungamos com Deus Trindade e entrelaçamos numa comunhão de vida em defesa pela vida. Quando mergulhamos no Espírito Santo somos movidos a sair de nós mesmos e ir ao encontro do outro, esse amor exige relação e também comunhão que sempre nos coloca em saída como fez o próprio Jesus, saiu levando a Boa nova do reino.

Pe. José Carneiro de Oliveira Filho

Amizade

A amizade constitui uma das relações humanas mais importantes. A filosofia sempre dedicou muita atenção á analise desta relação afetiva. A amizade pode ser motivada pelo útil, pelo prazer e pelo bem. Aos dois tipos de amizades duram pouco, enquanto não decai a utilidade e o prazer elas terminam. Somente a amizade fundada sobre o bem recíproco é verdadeira e duradoura.

A humildade

A humildade é uma virtude que para muitos se encontra esquecida, o cristianismo de modo particular a Igreja católica tem insistido, sem humildade não há vivência do Evangelho. A humildade leva a pessoa a viver uma vida pacificada, fazedora da verdade, motivadora da paz e da justiça, por isso, essa virtude não corresponde com a realidade moderna atual, que presa o individualismo, egocentrismo, auto-suficiência, moralismo, capitalismo e consumismo, é claro que rejeitará a virtude do humilde.

A partir da humildade se deriva as virtudes cardeais:

Prudência – é a virtude que escolhe o verdadeiro bem, “O homem prudente construiu sua casa sobre a rocha ( Mt 7, 24)”, o homem prudente vigia seus passos ( Pr 14, 15), essa virtude é chamada a mãe das demais, conhecida como fonte de espiritualidade cristã ou condutora da graça, pilar do bem contra o mal.

Justiça – é a virtude moral que consiste firmar a vontade de Deus e dar ao próximo o que lhe pertence. A justiça leva a respeitar os direitos de cada pessoa e estabelecer igualdade para todos, principalmente na questão social.

Fortaleza – é a virtude da capacidade para vencer o medo e enfrentar a provação e as perseguições. “ O Senhor é a minha fortaleza e a minha glória” (Sl 118, 14).

Temperança –  Assegura o domínio da vontade sobre os instintos e mantém os desejos nos limites da honestidade. A pessoa temperante não se deixa arrastar pelas paixões do coração.

Virtudes são atitudes interiores que precisamos ter para trabalhar nossa vida em todos os sentidos. A virtude existe para o crescimento da pessoa para ter uma vivência mais tranqüila em tudo que se refere á vida. É uma caminhada de amor e não de  individualismo narcisista , não é o fácil, o prazer, o realizador humano, pelo contrário, é o caminho da renúncia, uma via cruz.

 

O testemunho de João Batista

João testemunha por duas vezes que não conhecia Jesus, mas professa sua Nele. Eis o cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo ( Jo 1, 29), eu vi o Espirito Santo descer como pomba e permanecer sobre ele e ele é o Filho de Deus.  A fé de João não se limita em ouvir dizer, ela se fundamenta em sua experiência de Deus, ele ouve a voz de Deus e vê o Espirito sobre Jesus.

A Palavra de Deus é promessa que realiza. Quem a ouve certamente verá. A fé que recebemos no Batismo nos convida a ouvir a Palavra de Deus e ver as maravilhas que ela realiza em nossa vida e na vida de comunidade.

A fé de João Batista o leva aniquilar-se para que Cristo se manifeste: vim batizar com água para que ele fosse manifestado a Israel. A fé com que deixemos Deus se manifestar a todos.  Vivemos a fé não quando julgamos saber tudo, mas quando nos colocamos a serviço e vivemos de maneira intimista com Ele. Assim andamos pela fé e não pela visão. A fé verdadeira nos impulsiona a ser sempre mais jarro e bacia na mão, ou seja, serviço e doação. Fomos batizados para nos incorporar a Cristo mestre e pastor e sermos como João Batista, precursores do Senhor.

Ao sermos batizados fomos mergulhados no amor de Deus Trindade e imersos no Espirito Santo de Deus que gera em nós vida num sopro criador de Deus que pairou em nossa humanidade e fazermos criaturas novas. Em Jesus fomos recriados de novo para sermos uma planta florida para o mundo.

Vocação para a comunhão

Por muito tempo, o ser humano se considerou o centro de toda a criação, o que lhe dava autoridade para submeter a natureza criada ao seu domínio. Ainda hoje vivemos em tal consciência, apesar de muitos esforços que buscam a transformação dessa mentalidade.

“Que coisa é o ser humano, para dele te lembrares, o filho do homem, para o visitares?” (Sl 8,5), é o que pergunta o salmista, maravilhado ante a grandiosa obra do Senhor, que faz com o que o ser humano reconheça sua pequenez. Mesmo pequeno, sabe que ocupa um lugar dado pelo próprio Criador: “No entanto, o fizeste só um pouco menos que um deus, de glória e de honra o coroaste. Tu o colocaste à frente das obras de tuas mãos” (Sl 8,6-7)

É nesse horizonte que nos propomos a pensar os biomas de um ponto de vista existencial. Não apenas de um ponto de vista cientifico, duro, mas como originantes de uma vida de comunhão.

É o lugar da comunhão que todo o ser humano é chamado a ter com seu bioma, que precisa ganhar contornos existenciais. Não nos é estranho, nessa perspectiva, identificar cada bioma existencial com o Éden, o jardim da deliciosa convivência, ainda que com características tão próprias e nem sempre paradisíacas. Trata-se de encontrar sentido para sua existência, numa postura de comunhão com o conjunto da vida, de maneia harmoniosa e sem nenhum traço utilitarista.

O convite à facundidade e ao crescimento é feito a partir da dinâmica do amor. Só no amor o ser humano pode submeter a criação, como sinal de benção do Senhor (cf. Gn 1,28), da mesma forma como o Criador lida com suas criaturas. Essa é a responsabilidade humana de ser imagem e semelhança de seu Criador (cf. Gn 1,27). O amor-responsabilidade faz com que, à imagem e semelhança do Criador, participemos da criação de modo ativo: na comunhão com o mundo criado, fazer de nossa existência uma cultura originante, a fim de que essa comunhão se torne cada vez mais profunda.

Felipe Magalhães Francisco – Revista Vida Pastoral

Biomas existenciais originantes: uma ressignificação

1.1. Biomas

A palavra bioma é uma junção de duas palavras gregas: vida e massa. Configura-se como a organização da vida de determinado ambiente, numa relação entre a pluralidade dos seres vivos, para que essa vida prospere. Em nosso país continental, encontramos seis biomas: a Amazônia, o maior bioma brasileiro; a caatinga, o bioma exclusivamente brasileiro; o cerrado, o segundo maior bioma do país; a Mata atlântica, um bioma de floresta tropical; o pampa, um bioma de planícies; e o pantanal, um dos ecossistemas mais rico do país.

Os biomas são sempre organização natural da vida. Seja por sua própria constituição, seja em relação aos outros biomas, como é o caso do Brasil. No que diz respeito àquilo que constitui um bioma, essa organização dos seres se dá num movimento de constante adaptação das formas de vida às condições apresentadas por esse determinado bioma.

Felipe Magalhães Francisco – Revista Vida Pastoral