Arquivos Mensais: dezembro 2016

Amor além do sofrimento

O amor se perde no sofrimento e no sofrimento nasce um amor sem condição, ou melhor, sem limites, um amor que redime e não vem do sofrimento, mas da vida. A resposta ao sofrimento vem não da morte, mas do amor. Há muitos que sofrem porque não são capazes de amar, carrega um sofrimento que pode ser superado no amor. O sofrimento do interno humano pode gerar morte e destruição, o sofrimento que vem da realidade humano pode ser entendido e compreendido na fé e no amor. Ama para amar e morre as vezes para ver o outro amar. Quem não aprendeu a amar sofre, é um sofrimento adquirido por ser instrumento por falta de perdão, o sofrimento mediante ao amor coloca a pessoa fora de si, indo ao encontro do outro numa atitude de liberdade libertadora. O outro não é si mesmo, é parte de mim, no amor não existe ruptura, mas comunhão de um mesmo corpo, embora com membros diferentes, e tendo como centro a cabeça que é Cristo. Somos o que somos na medida em que amamos.

Estamos a caminho

Como bem sabemos a vida é um caminho a ser percorrido a cada segundo com alegria e fé. O caminho a ser seguido não pode trazer dúvida ou medo, mas esperança e perspectiva de futuro melhor. Rumo a um futuro bom que nos espera, até lá precisamos nos preparar, de fato, o caminho as vezes nos oferece surpresas desagradáveis ou inesperadas, por isso, é preciso se preparar. Trilhar um caminho é aprender com Jesus tomar a cruz e seguir com perseverança, sabendo que todo caminho tem uma meta ser cumprida. Preparar o caminho significa não se preparar fisicamente, mas espiritualmente, endireitar o que está torto, esse deve ser o projeto do caminhante, com seu próprio jeito de ser, sem perder sua identidade seguir em direção a meta.

Pe. José Carneiro de Oliveira Filho

Vida comunitária

Todo o ser humano está voltado para o relacionamento. O homem se revela e se conhece somente ao se comunicar.
Comunicar não é simplesmente dar informações sobre acontecimentos quaisquer ou um meio para se fazer entender pelo outro, mas antes de tudo revelação de si mesmo ao outro.
A boa comunicação deve brotar do silêncio. Quando surgem palavras as quais não se originam do silêncio elas tornam-se um falatório sem sentido, superficial, um amontoado de palavras sem significado nenhum.
A partilha quer dizer capacidade e a liberdade de se doar ao outro na verdade e na riqueza daquilo que se é e se tem, com a certeza de poder se realizar na própria identidade somente graças à contribuição do outro. Ela é, antes de tudo lógica Trinitária. É a Trindade que primeiro partilha seu ser com a humanidade e nos convida a fazermos o mesmo com os irmãos e irmãs.
A partilha Afetiva. É o sentir com. Fazer do sonho do outro também meu sonho. Para que isso possa vir a acontecer é necessário que me liberte de meus bloqueios pessoais. Que deposite um julgamento firmemente positivo ao outro. Que eu esteja disposto a acolher e me tornar responsável pelo meu irmão/irmã, bem como me saber necessitado também dele/dela.
O Senhor quando se revela à humanidade não o faz a uma pessoa isolada, mas a um grupo. Por vezes encontramos os discípulos de Jesus conversando entre si para compreenderem melhor o que o Senhor lhe havia transmitido. Também nós enquanto cristãos deveríamos partilhar com nossos irmãos e irmãs as experiencias que fazemos do Ressuscitado.

Por favor, um copo de água!

Aqui está alguém com muita sede, pedindo um copo de água!
Um copo de água para quem tudo deixou por amor ao Cristo e a cada um de vocês; que se fez servo de todos sem nada cobrar de ninguém – a não ser um copo de água…
Um copo de água para aquele que não tem nem um lar, nem um ombro de esposa onde reclinar a cabeça, nas horas sombrias da vida. Um copo de água para aquele que escolheu a solidão e não mais pertence a si mesmo: que pertence a todos sem pertencer a ninguem em particular.
Um copo de água para o padre! Apenas um copo de água!
Um copo de água pode parecer coisa de nada: mercadoria que só circula entre pobres; mas na verdade é coisa de irmãos. E pode valer um carimbo no passaporte para o Reino do céu. Pois está escrito: “Quem lhes der um copo de água não ficará sem recompensa” (Mc 9, 41).
Um copo de água pode significar muita coisa valiosa, como, por exemplo, um pouco de calor humano, no acolhimento fraterno e de colaboração.Um pouco de amizade e de solidariedade na luta cotra as adversidades da vida. Um pouco de animação na hora do desânimo.
Seja bem claro que o padre não está pedindo esmola nem compaixão; nem está exigindo tratamento de favor na hora de pagar suas dividas; nem ser posto num trono ou acima dos outros mortais. Mas pode e deve exigir a porção de amor que lhe é devida, pois ele não deixa de ter um coração de carne, nem pode renunciar ao direito de amar e ser amado.
Portanto, não marginalizem este homem. Não o condenem a estacionar na periferia da vida. Nem pensem: “Quanto mais longe dele, melhor: é azarento”. Talvez seja este o maior azar da vida: ficar longe dele é privar-se do misterioso conforto que dele se desprende…
Então, irmãos, não neguem um copo de água ao padre! Ele pode estar com sede, como Cristo na cruz. Aliás, que tal, de vez em quando, oferecer-lhe também um cafezinho?

Pe. Virgílio, ssp

Saber aceitar os momentos no dia a dia…

Somos às vezes assaltados por realidades que nos deixam sem força ou palavra para progredir; principalmente, quando deparamos com situações de morte ou de fracasso: econômico, afetivo, comunitário, social, político e pessoal. Logo nos vem á mente, por que aconteceu isso comigo? Não vou conseguir, parece que o mundo desmoronou sobre minha cabeça, a minha vida perdeu o rumo, sinto-me incapaz de buscar força para o crescimento?

Olhando esses fatores humanos. O que mais pesa sobre mim?

Como devo superar tudo isso?

As provações humanas existem e são elas que darão sustentação para vencer os tormentos e seguir o caminho olhando para a frente, sem perder o equilíbrio, e tendo como meta as palavras do apóstolo Paulo. Tudo posso, Naquele que me dá força Fl 4, 13

A mochila…

Já está pronta a mochila para quando eu for pro céu.
Está cheia de presentes, cheia de amor à Jesus.

Eu levo dentro a caneta que eu emprestei ao meu irmão.
Eu levo dentro os jornais que fui comprar para o papai.

O remédio muito amargo mas que eu tomo de uma vez.
E as comprar prá mamãe que eu fiz sem reclamar.

Fiz as pazes com o Ricardo que me deu um empurrão.
E a mão que estendi quado o vi cair no chão.

E à tarde com a vovó para fazer-lhe companhia.
E a louça que lavei lá na casa da titia.

E quando um dia eu lá chegar a mochila abrirei.
Os pacotes um por um à Jesus eu levarei.

Com muitas flores prá Maria, e ela sorrirá.
Finalmente estamos junta(o)s
No paraíso para amar…

Canto GEN 3 – Pe. Morales